* Didi e Frederico


"Américo Picanço: o primeiro parceiro de Renato Aragão"

Durante décadas, o Brasil conheceu a famosa parceria entre Renato Aragão e Dedé Santana. Mas quase ninguém sabe que antes dessa dupla histórica existiu outro parceiro ao lado de Renato Aragão na televisão. Essa é a história de Américo Picanço…e de como ele foi redescoberto depois de décadas.

Durante muitos anos, sua participação na história do humor brasileiro ficou praticamente esquecida. Até que uma pesquisa começou a trazer essa história de volta.

A origem de Américo Picanço

Américo Picanço nasceu em 29 de julho de 1942, em Fortaleza. Cresceu em uma família numerosa, com sete irmãos: Américo, Cláudia, Luiz Jr. (falecido), Ana Luiza, Teresa, Vera e Carlos Roberto (falecido). Ainda na infância, a família enfrentou dificuldades quando seu pai começou a perder a visão aos 34 anos de idade.

Para ajudar no sustento da casa, sua mãe passou a se dedicar ao ensino de dança. Ela estudou ballet e acabou se tornando uma importante professora na área, chegando a manter durante cerca de cinquenta anos uma das primeiras academias de ballet da cidade. Influenciadas por ela, as filhas da família também seguiram o caminho das artes, estudando ballet, dança moderna e jazz nas melhores academias de Fortaleza.

Antes de ingressar na televisão, Américo trabalhou com o pai no Depósito OK, um comércio que vendia bebidas e que também possuía uma das primeiras empresas da cidade especializadas no aluguel de materiais para festas. Posteriormente, decidiu seguir outros caminhos profissionais. Durante um período, foi aluno do Curso de Aprendizagem Bancária do Banco do Nordeste, onde permaneceu por cerca de um ano e meio. Em seguida, estudou como interno na cidade de Cataguases. Após retornar ao Ceará, sua vida tomaria um rumo inesperado.

Início na televisão

A entrada de Américo na televisão aconteceu de maneira quase casual. Sua mãe possuía um programa de ballet na TV Ceará, e foi ela quem sugeriu que o filho realizasse um teste para atuar na emissora. Américo aceitou o desafio, fez o teste e acabou aprovado.

Ele começou participando de pequenas pontas em programas e novelas da emissora. Em 1960, passou a atuar no programa humorístico Vídeo Alegre, exibido às quartas-feiras. Nesse período, interpretava um personagem chamado Bebeto, um rapaz ingênuo, tímido e atrapalhado, que tinha dificuldades até mesmo para se aproximar da namorada.

Renato Aragão e Américo Picanço
Renato Aragão e Américo Picanço
Didi e Frederico

Na época, também participava do programa o jovem humorista Renato Aragão, que já começava a se destacar. Inicialmente, cada um tinha seu próprio quadro. Porém, em determinado momento, Renato convidou Américo para formarem uma dupla humorística. Assim nasceram os personagens Didi e Frederico, marcando a primeira parceria de Renato Aragão na televisão.

Os Legionários
Os Legionários

A parceria entre Américo Picanço e Renato Aragão marcou um momento importante do humor televisivo cearense. Juntos, eles também participaram do grupo humorístico Os Legionários, que reunia alguns dos principais comediantes da emissora.

Naquele período, o elenco humorístico da TV Ceará era relativamente pequeno. Entre os nomes que se destacavam estavam Renato Aragão, Américo Picanço e o humorista Prachedinho.

Com o sucesso do programa, os artistas passaram a ser reconhecidos nas ruas. Segundo Américo, a repercussão era tão grande que muitas vezes se tornava difícil caminhar tranquilamente pela cidade.

Mudança para o eixo Rio–São Paulo

Quando Renato Aragão recebeu um convite para trabalhar na TV Tupi, no Rio de Janeiro, convidou Américo para acompanhá-lo. Naquele momento, porém, Américo havia acabado de se casar e decidiu permanecer em Fortaleza.

Alguns anos depois, ele também seguiu para o Rio de Janeiro, onde reencontrou Renato Aragão e voltou a trabalhar ao seu lado.

Nesse período, Américo passou a atuar na TV Excelsior de São Paulo, uma das principais emissoras da época.

Antes de fazer parte do elenco dos Adoráveis Trapalhões na TV Excelsior, Américo Picanço trabalhou com Wilton Franco em São Paulo no programa "Essa gente Inocente".

Wilton Franco criou o programa "Essa gente Inocente" mostrando crianças talentosas, em diversas formas de arte, como dançarinos, cantores, humoristas entre outros na TV Excelsior canal 2 do Rio de Janeiro.

O programa era todo composto por crianças, destacando-se várias, como o cantor Antonio Carlos, conhecido como Pádua, e a apresentadora Elizângela, que apesar de ter iniciado a carreira no Clube do Guri da TV Tupi Rio de Janeiro, foi no Essa Gente Inocente que acabou criando fama, primeiro como apresentadora, que lhe rendeu o passaporte para a TV Globo em 1967, quando o programa terminou no Rio e foi levado por Wilton Franco para São Paulo pela TV Record, onde ficou até 1977, ganhando inclusive o prêmio de melhor programa infanto-juvenil no Festival de Monte Carlo em 1973.

Também foram destaques do programa, apesar de não terem seguido a carreira artística: Ozias, Cidinha, Noeli, Wagner, Edmara, Luiz Cláudio e Ferrugem (os três últimos já nos tempos da TV Record.


Tim, Tom e Tum
Tim, Tom e Tum
Tim, Tom e Tum - Personagens de Renato Aragão, Américo Picanço e Mario Alimari no programa: "A Cidade Se Diverte".

Na Excelsior, formou-se um trio humorístico com Renato Aragão, Américo Picanço e o ator Mario Alimari.

Durante sua passagem pela emissora, Américo também atuou como diretor e produtor de programas humorísticos.

Entre os programas...

* De Humor Também Se Vive (1967)

* Aquela Felicidade


Participação em "Os Adoráveis Trapalhões"

Já em São Paulo, Américo integrou o elenco do programa Os Adoráveis Trapalhões, onde permaneceu por cerca de três anos.

No programa, ele interpretava geralmente o vilão das histórias, que enfrentava os personagens interpretados por:

Os episódios frequentemente terminavam com uma luta cômica entre Américo e o lutador Ted Boy Marino, seu grande amigo.

Episódio envolvendo Mussum

Américo também relatou um episódio curioso envolvendo a chegada de Mussum à televisão.

Durante um programa humorístico em São Paulo, o produtor Wilton Franco pediu que Américo encontrasse alguém para substituir o humorista Tião Macalé, que havia faltado.

Procurando pelos estúdios da emissora, Américo encontrou o grupo musical Os Originais do Samba ensaiando. Entre os integrantes estava Mussum. Após alguma insistência, ele aceitou participar do programa, apesar de inicialmente ter dificuldades para decorar os textos. Com o tempo, Mussum se adaptou ao humor televisivo e viria a se tornar um dos integrantes mais populares de Os Trapalhões.

Outros trabalhos na televisão

Após sua participação nos programas ligados ao universo dos Trapalhões, Américo participou também do programa Bonzinhos Até Certo Ponto, exibido pela TV Tupi em São Paulo.

O programa contou com a participação de artistas como:

Apesar de reunir nomes conhecidos, a atração teve curta duração, permanecendo no ar por cerca de seis meses.

Participação no cinema

Américo acima do Dedé
Américo acima do Dedé

Américo Picanço também fez uma pequena participação no filme Na Onda do Iê-Iê-Iê, estrelado por Renato Aragão. Sua aparição ocorreu devido à ausência de um ator no momento das gravações.

Vida pessoal

Américo Picanço é pai de seis filhos:

  • Danielle
  • Christianne
  • Américo III
  • Tainah
  • Vitor
  • Gabriel

Sua esposa chama-se Marizete.

Visão sobre a carreira

Segundo o próprio Américo, sua entrada na televisão nunca foi planejada. O que começou como uma experiência casual acabou se transformando em cerca de seis anos de atuação no meio televisivo.

Ele afirmou ter se dedicado intensamente aos projetos dos quais participou e procurou manter uma postura respeitada dentro das emissoras onde trabalhou, especialmente durante sua passagem pela TV Excelsior, onde conquistou a confiança da direção.

Américo Picanço ficou marcado como um dos pioneiros do humor televisivo brasileiro, participando do início da carreira de Renato Aragão e de um período fundamental que antecedeu a formação definitiva do grupo Os Trapalhões, um dos maiores fenômenos de popularidade da televisão brasileira.

Renato Aragão e Américo Picanço em Cena na TV Excelsior e TV Ceará, Canal 2

Detalhe... Américo é um grande torcedor do Fortaleza E. C.

A descoberta do Américo Picanço

Eu sou Lozandres Braga, pesquisador e colecionador da história dos Trapalhões desde 1976.

Investigando os primeiros passos da carreira de Renato Aragão, descobri registros do antigo programa da TV Ceará chamado Vídeo Alegre.

E foi ali que apareceu um nome que quase desapareceu da memória da televisão: Américo Picanço.

A descoberta

Curioso com essa informação, comecei uma verdadeira investigação para descobrir quem era esse artista histórico e qual foi sua importância na história do humor brasileiro.

Depois de muitas buscas, finalmente consegui entrar em contato com ele no dia 22 de março de 2013.

Naquele momento ficou claro que eu estava diante de um pedaço esquecido da história da televisão brasileira.

A Revelação

Américo Picanço foi o primeiro parceiro de Renato Aragão na televisão, muito antes da famosa parceria com Dedé Santana.

Isso aconteceu ainda nos primeiros anos da carreira de Renato, quando o humorista dava seus primeiros passos na televisão em 1960.

Infelizmente, com o passar do tempo, esse capítulo da história acabou ficando quase esquecido.

No dia 27 de julho de 2013, uma produtora da TV Record entrou em contato comigo.

Eles estavam preparando um especial sobre a trajetória de Renato Aragão e buscavam informações sobre o início de sua carreira.

Foi então que contei algo que quase ninguém sabia.

Eu informei que existia uma pessoa muito importante no começo da carreira de Renato Aragão que ainda estava viva.

Essa pessoa era Américo Picanço.

Um artista que havia estado ao lado de Renato Aragão antes mesmo da famosa parceria com Dedé Santana.

O reconhecimento

Naquele momento, Américo Picanço foi reconhecido para todo o Brasil e para a surpresa do Renato Aragão.

Ele estava muito empolgado e com muita saúde, lúcido e cheio de histórias para contar sobre os primeiros anos da televisão e do humor brasileiro.

Por isso, hoje meu trabalho é ajudar a resgatar a memória de Américo Picanço, para que ele volte a ser reconhecido como parte importante da origem dessa história.

Porque antes da fama nacional…
Antes dos Trapalhões dominarem os cinemas e a televisão brasileira…

Existiu um pioneiro ao lado de Renato Aragão.

Américo Picanço.



Honrado e muitíssimo agradecido...




Se você acredita que essa história precisa ser conhecida por todo o Brasil, divulgue o site.
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* PESQUISA RESUMIDA E EDITADA POR LOZANDRES BRAGA