* As primeiras Origens

Os Ximenes de Aragão: origem, sangue e travessias

Muito antes de o sobrenome Ximenes atravessar oceanos e fincar raízes em terras brasileiras, ele já carregava consigo o peso do tempo, da guerra e da nobreza. Sua origem remonta aos primeiros séculos da era cristã, quando o nome próprio Ximeno era comum entre os povos da região de Navarra, no norte da Espanha. Desse nome nasceu o patronímico que, aos poucos, deixou de indicar apenas filiação para se tornar um sinal de linhagem.

Os registros mais antigos apontam para Andeca, príncipe basco e duque da Cantábria, como o ancestral mais remoto dessa estirpe. Vivendo no turbulento século VII, Andeca governou em um período marcado por disputas territoriais e pelo avanço de forças estrangeiras sobre a Península Ibérica. Sua morte, ocorrida entre os dias 19 e 26 de julho de 711, na célebre Batalha de Guadalete, selou não apenas o fim de uma vida, mas também o colapso de uma era: ali sucumbia o domínio visigodo diante da invasão muçulmana. Casado com Memorana da França, Andeca deixou como herança o filho Ximeno, príncipe basco, responsável por perpetuar o nome e o sangue da família.

Foi desse tronco que surgiu Garcia Ximenes de Bigorre, considerado o primeiro a empregar Ximenes como sobrenome. Filho de Ximeno, Garcia tornou-se conde de Bigorre e viveu no início do século VIII, falecendo no ano de 758 d.C. Com ele, o nome deixou de ser apenas memória paterna e passou a representar posição, autoridade e continuidade. A partir desse ponto, a genealogia dos Ximenes se entrelaçou com a história dos reinos espanhóis, cruzando séculos por meio de alianças, títulos e feitos que os colocaram entre reis e nobres.

Rei Jaime I de Aragão
Rei Jaime I de Aragão

Ao longo das gerações, a família consolidou-se dentro da aristocracia ibérica, até alcançar uma de suas figuras mais emblemáticas: Fernan Sanches de Aragão, senhor de Castro. Nascido em 1241, Fernan carregava em si uma herança singular. Era filho bastardo do rei Jaime I de Aragão, conhecido como O Conquistador, fruto de sua relação com Dona Branca de Antillón. Apesar da ilegitimidade, Fernan ocupou lugar de destaque na nobreza aragonesa, confirmando que, naquela linhagem, o sangue falava mais alto que os registros formais.

Casado com Dona Aldona Ximenes de Urrea, filha de Ximeno de Urrea e Toda Peres Cornel, Fernan reforçou os laços entre casas nobres. Sua vida, contudo, teve um fim abrupto e trágico: em 1275, morreu afogado no rio Cinca, episódio que marcou profundamente a memória familiar. A partir dele, a genealogia seguiu adiante, geração após geração, preservando o nome Ximenes de Aragão como sinal de pertencimento e distinção.

Foi apenas no final do século XV que a história da família cruzou as fronteiras da Espanha. Fernando Ximenes, tetraneto de Fernan Sanches de Aragão e pertencente à 26ª geração, envolveu-se nos conflitos que opunham castelhanos e portugueses. Durante a Batalha de Toro, em 1476, foi aprisionado pelos lusitanos. O cativeiro, entretanto, transformou-se em permanência. Fernando casou-se com a portuguesa Joana Nunes de Aragão e fixou-se na cidade de Covilhã, ao sopé da imponente Serra da Estrela.

Daquele ponto em diante, os Ximenes de Aragão passaram a integrar o tecido social português. Sua descendência espalhou-se por diversos distritos do reino e, mais tarde, acompanhou a expansão ultramarina de Portugal, levando o nome para além da Europa.

No século XVII, a história da família encontrou um novo rumo. João Batista Ximenes de Aragão, representante da 31ª geração, destacou-se no comércio do açúcar e, em 1630, tornou-se o primeiro de sua linhagem a se estabelecer definitivamente no Brasil. Escolheu Pernambuco, então centro vital da economia colonial, como ponto de partida para uma nova etapa da saga familiar.

Com o passar do tempo, os Ximenes de Aragão avançaram pelo território brasileiro. De Pernambuco, seguiram rumo ao Ceará, onde, por volta de 1770, os irmãos Manuel Ximenes de Aragão e Tomé Ximenes de Aragão fixaram-se na região de Sobral, na ribeira do Acaraú. Ali, por meio de seus casamentos — Manuel com Antônia Maria Madeira da Páscoa, e Tomé com Margarida Nunes Barbosa —, formaram o núcleo a partir do qual se ramificariam inúmeras gerações.

Assim, a trajetória dos Ximenes de Aragão revela-se como uma longa travessia: dos campos de batalha da Europa medieval às margens dos rios nordestinos; do sangue real aos engenhos de açúcar; da nobreza antiga à construção de um legado brasileiro. É a história de um nome que sobreviveu ao tempo, reinventando-se sem jamais perder a memória de suas origens.


* PESQUISA RESUMIDA POR LOZANDRES BRAGA