O primeiro fim

 

"Os Trapalhões foram os últimos palhaços da TV".

(Luíz Antônio Geron, na folha de São Paulo, de 30 de Julho de 1994)

 
Na segunda metade da década de 1960, a Excelsior começava a ver seus problemas com a censura agravados. Pior ainda, afundada em dívidas e impostos atrasados, ela viu, impotente, seus astros pularem para as emissoras rivais. E, como se isso já não fosse o suficiente, dois incêndios nas instalações da emissora tornaram ainda pior uma situação que já beirava o caos.
Paralelamente, o programa de Wilton Franco começava também a dar sinais de desgaste - ao menos na audiência. Juntando-se os dois lados, não houve outra solução a não ser tirar o programa do ar. O anúncio veio com tristeza para todo o grupo. "Entrou um filme no lugar", relembra Wanderley Cardoso.
 
"A Excelsior fechou, e ficou todo mundo 'na mão'. Eu, o Renato, todo mundo", conta Dedé. De portas fechadas, cada um buscou sua melhor maneira de garantir o sustento.
 
A "reestruturação forçada" acabou levando a mais uma formação, desta vez direta, da dupla Dedé/Didi. E, agora, seria na TV Record, nos bancos da famosa A Praça da Alegria, sob o comando do genial Manoel de Nobrega (1913-1976). Roberto Guilherme, o futuro Sargento Pincel, também foi junto, conforme relembra: "Depois disso, a Record contratou eu e o Renato (o burro vem na frente) para formarmos uma dupla na Praça da Alegria com o sr. Manoel de Nobrega". Vale lembrar, para os mais jovens, que Manoel de Nobrega é pai de Carlos Alberto da Nobrega, apresentador de A Praça é Nossa. Carlos Alberto, por sinal, por muitos anos colaborou na redação dos programas protagonizados por Renato Aragao, como veremos.
 
 
A dupla inicial de A Praça da Alegria foi, na verdade, composta por Renato Aragão e Roberto Guilherme. A entrada de Dedé ocorreu pouco tempo depois. Carlos Alberto soube que o comediante estava parado e resolveu chama-lo para a "Praça" também. "Chamei o Dedé, para ele faturar uma graninha", relembra o apresentador do banco mais famoso da televisão. Instalou-se o humor circense no programa famoso, e o sucesso veio rápido.
Carlos Alberto havia conhecido Renato Aragão ainda nos tempos da TV Excelsior. "Eu achava muito engraçado o Aragão no Adoráveis Trapalhões." Os dois se viram pela primeira vez no aeroporto. O filho de Manoel da Nobrega já estava na Record. Anos depois, quando a Excelsior chegou ao fim, surgiu a oportunidade de levar Didi para a praça.
 
"Em pouco tempo nós eramos a principal atração do programa, que tinha um gênero mais calmo", segundo Roberto Guilherme. Calmo, certamente. Se levarmos em conta o estilo de humor de Aragão, Dedé e Guilherme, o contraste foi ainda maior. O trio não poupava saltos e piruetas no palco.
 
Renato Aragão nunca trabalhou em circo, como já vimos. O papel de comediante dos picadeiros coube, então, prioritariamente, a Dedé: "Vim de uma família que fazia desde trapézios e palhaçadas até o 'globo da morte'". Quando os dois se juntaram, agiam como artistas de circo nas mesmas condições.
 
A dupla já tinha em mente ter um programa próprio. Claro, o espaço em A Praça da Alegria era bom e dava uma boa, audiência e visibilidade, mas ainda era pouco - paralelamente a TV, Didi e Dedé já armavam suas confusões no cinema, em filmes como A Ilha dos Paqueras ou Ali Babá e os 40 Ladrões.
 
Devido ao próprio "perfil tranqüilo" do programa da praça, conforme Roberto Guilherme nos revelou, não foi difícil imaginar a reação de Dedé quando Paulinho Machado, um dos diretores da Record, chamou os dois, Renato e Dedé, para uma conversa em sua sala. "Estamos ferrados. Ele vai nos mandar embora", dizia aos colegas o galã trapalhão. Sua maior preocupação era agradar aos donos da Record.
 
Dedé não poderia estar mais errado ("aguarde e confie", como diria Renato...).
 
Luis Joly e Paulo Franco

 


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