O elenco

 

"Nunca podemos saber quando o sucesso vai acontecer. Se alguém pudesse saber o que vai se tornar sucesso, essa pessoa estaria rica".

(Max Nunes, em trecho do livro Pais da TV)

 

Para fechar a seleção, escalada com Wanderley Cardoso, Ted Boy Marino e Ivon Cury, Wilton Franco pensou em trazer alguém novo, que pudesse dar um frescor ao programa. E, mais que isso, alguém que possuísse uma vertente de humor mais explicita e dedicada.

Ora, estamos falando de quem?

"O Renato já fazia sucesso pela [TV] Tupi, mas ainda não era amplamente conhecido. Achei que chama-lo seria a melhor forma de trazer mais humor ao grupo", diz Wilton Franco, que justifica a procura: "O Ted Boy Marino era um grande ídolo do Telecatch, mas precisava também de alguém que fizesse humor, então, chamei o Renato Aragão e completei o time com um profissional que tivesse mais tranquilidade, que era o Ivon Cury", resume.

Renato Aragão na TV Tupi

 

Tranquilidade, de fato, necessária. É bom lembrar que, na época, os programas eram exibidos ao vivo, com plateia-afinal, o videoteipe ainda era uma tecnologia em desenvolvimento. "As gravações aconteciam as terças, no Rio de Janeiro, e as quintas, em São Paulo. Nas duas primeiras vezes, teatro vazio. Já na terceira vez, não conseguíamos entrar, precisamos da ajuda da policia de tanta gente no auditório", relembra Wanderley Cardoso.

O ídolo da Jovem Guarda, aliás, também se lembra bem da formação do elenco. Segundo ele, Miguel Gustavo (1922-1972), a época diretor-geral da TV Excelsior, também se lembrou do nome de Renato Aragão. "Esse rapaz vai estourar, é um menino que veio lá do Ceará, e tem muito talento", dizia o Miguel, nas palavras de Wanderley Cardoso.

Porém, é bom lembrar que estamos falando de algo ocorrido ha mais de 40 anos. A memória, que nos trai até quando tentamos nos lembrar de nossa mais recente refeição, pode muito bem ter dado algumas rasteiras nos entrevistados. Culpa do esquecimento ou do tempo, Dedé possui uma terceira versão para a entrada de Renato no elenco desse programa que seria o precursor de Os Trapalhões. Segundo o humorista, Wilton Franco foi atrás dele, e não de Renato. "Eu falei que só me mudaria para a Excelsior se levasse o Renato comigo", diz. Ainda, segundo Dedé, a Excelsior negou à dupla contratação, mas, depois, voltou atrás, permitindo que Didi e Dedé seguissem juntos para o canal.

Divergências à parte, Dedé de fato foi para a Excelsior, e somou-se ao elenco de apoio, junto com outro nome que se tornaria presença constante no mundo dos Trapalhões ate o fim: Roberto Guilherme. "Eu fazia a programação da TV Excelsior, quando o Wilton perguntou se seria possível atuar ao lado de Renato Aragão. Ali, começou a escadaria do tempo", filosofa o famoso Sargento Pincel - que só ganharia esse apelido muitos anos depois (aguarde).

Roberto já havia trabalhado com Renato Aragão e Dedé anteriormente, em Os Legionários (também conhecido como Um, dois, Feijão com Arroz aquele mesmo programa que marcou o início da dupla Didi e Dedé, ainda na Tupi). O quadro, como já falamos, lembrava muito os famosos esquetes de quartel, que dariam origem ao Sargento Pincel. "E, nessa época, eu não fazia o sargento, não; fazia o capitão", confirma Roberto. Quem fazia o sargento na época era Davi Reis.

Luis Joly e Paulo Franco

Renato Aragão e Roberto Guilherme como capitão, antes de se tornar o famoso Sargento Pincel.


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