Renato Aragão: "Sinto falta dos companheiros que se foram"

15/04/2017 19:01
05/04/2017 - 09H06 - ATUALIZADO EM 06/04/2017 ÀS 14H17 - POR RICARDO FRANCA CRUZ E PATRICK CRUZ
 
Renato Aragão: "Sinto falta dos companheiros que se foram"
Renato Aragão é a eminência parda do humor brasileiro. Aos 82, o intérprete de Didi Mocó faz planos para o futuro e diz sentir falta de Mussum e Zacarias
 
Renato Aragão (Foto: Pedro Dimitrow)
Caminho do encontro com Renato Aragão, a equipe da GQ treinou intensamente para não chamar o humorista pelo nome de seu mais famoso personagem, Didi, com o qual ele nos faz rir há mais de 50 anos. Achávamos que a maior desfeita com o anfitrião seria esse deslize. Primeiro: o ensaio foi totalmente inútil. Sobraram Didis naquela tarde. Segundo: desfeita mesmo foi fazê-lo perder Barcelona 6 x 1 PSG, pela Champions League, certamente o jogo mais espetacular do futebol mundial na atual temporada – e que ele estava acompanhando atentamente até nossa chegada à sua mansão, em um condomínio na Barra, no Rio de Janeiro.
 
O vacilo não impediu que ele e sua família nos recebessem com os mimos reservados a quem se quer bem. Renato Aragão fez poses e caretas para a câmera, driblou sua timidez para soltar gracejos ao longo do encontro – não, ele não é amalucado como seu alter ego – e respondeu tudo o que lhe foi perguntado, mesmo quando se sentia desconfortável, com um cuidado ao mesmo tempo estudado e natural, para não criar polêmicas com suas declarações, coisa que só a tarimba de seis décadas de vida artística podem dar. Diante do ex-tenente do exército, ex-advogado trabalhista e eterno Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo, nós fomos, por algumas horas, o “da poltrona” a quem ele se dirige na TV – e a poltrona era a da sala de nosso herói.
 
“Doutor tenente” Antônio Renato Aragão: te chamo de Renato ou de Didi?
Como você quiser. Já misturou tudo. É por causa do personagem que eu tô aqui. Se não fosse por ele, quem eu seria? O Didi é um descarrego. O Renato Aragão é muito contido. O Didi é meu alter ego. Ele quer ser feliz, vive intensamente o hoje como se não houvesse amanhã.
 
Neste ano, o senhor lançou Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood. Uma nova geração está conhecendo agora o Didi, mas o senhor não é adepto das redes sociais nem produz conteúdo para a internet. Não considera dar esse passo?
Está muito cedo, mas eu ainda vou entrar na internet com força. (risos) É que eu tenho muitos trabalhos já previstos. No segundo semestre, vamos começar a rodar meu novo filme, Didi e o Fantasma do Teatro, com o (diretor) João Daniel (Tikhomiroff). Dos projetos já previstos, não sei qual começar antes. Mas no e-mail eu já sou mestre. (risos) No Uatzápa também.
 
E para o YouTube? Há vários canais dedicados aos Trapalhões lá.
O YouTuba. Os vídeos estão lá, e eu acho que isso é pirataria. Meus programas são da Globo. Alguém está ganhando para fazer isso, mas não sei quem é. Meus filmes também estão sendo exibidos na internet, mas não autorizei ninguém a fazer isso. Como fazer o controle disso é que eu não sei.
 
A internet, aliás, tem sido rica em boatos com seu nome. Até sua morte já anunciaram. Isso o incomoda? 
Isso me chateia muito. Já me mataram três vezes! E o grande público fica sem esclarecimento. Quem ouve pela primeira vez já dá como certo que eu morri. Pra muita gente, eu estou morto.
 
O Renato Aragão é muito contido. O Didi é meu alter ego. Ele quer ser feliz, vive intensamente o hoje como se não houvesse amanhã."
RENATO ARAGÃO
O senhor sente saudade da época em que os Trapalhões estavam no auge?
Não sinto saudade do auge do nosso sucesso, mas dos companheiros que se foram: Mussum e Zacarias. Eu não vejo os programas antigos porque sinto muita falta dos dois.
 
O senhor lembra de sua primeira namorada? Como foi sua iniciação sexual? 
Me apertou... Naquele tempo, namoro era diferente. Pegar na mão já era um escândalo. Em umas férias em Sobral (CE), conheci minha primeira esposa, falecida. Foi minha primeira e única. Depois, veio a Lilian, que conheci há 25 anos.
 
Em 2014, o senhor sofreu um infarto e ficou quase uma semana internado. Como está sua saúde? 
Foi muita emoção no aniversário de 15 anos da minha filha. Ainda bem que era sábado, com pouco trânsito, e o hospital fica aqui perto. Lembro de chegar lá e ouvir alguém falar “Dá morfina, dá morfina”. Não entendi nada. Não fumo, bebo um vinhozinho, mas muito pouco, não como gordura, fritura... Foi emoção.
 
Hoje, o senhor está com 82... 
Aqui pra nós. (risos) Mas eu não sinto a idade que tenho. Eu acho que estou com 15 anos a menos. Daqui a pouco, vamos ver uma geração de pessoas com 120 anos. E eu rezo muito pela ciência. (risos)
 

Referencia: http://gq.globo.com/Cultura/noticia/2017/04/renato-aragao-sinto-falta-dos-companheiros-que-se-foram.html

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