Fevereiro - Revista Intervalo, 215 (19 a 25-02-1957)

Quando estudante na Faculdade de Direito de Fortaleza, Antônio Renato Aragão fazia três coisas importantes, além de ocupar-se dos livros: comediazinhas, atletismo e futebol. Essa mania de comediante já vinha desde quando estava no Exército e acabou servindo-lhe de base na TV-Ceará, onde começou sua carreira, depois de formado.

A princípio, Renato só escrevia, mas a falta de intérpretes obrigou-o também a desempenhar os papéis por êle mesmo criados. E foi aí que lhe foi útil a agilidade física dos tempos de recruta e de estudante. Porque êle pôde criar um estilo de humorismo baseado em efeitos malabarísticos. Esses recursos e mais o jeito humilde e humano de seus personagens, já lhe valeram até uma comparação com Chaplin. Quando desceu para o Rio, em 1963, e começou a apresentar-se na Televisão, sua agilidade física passou a funcionar como um elemento de valorização de cenas. Por isso não é de admirar quando êle, dentro de sua modéstia e coçando a cabeça, confessa cândidamente: É, eu acabava mesmo indo para um circo, se a televisão não me agarrasse! Mas a TV o agarrou e êle é hoje o autor de Adoráveis Trapalhões, na Excelsior e também ator, ao lado de Wanderley Cardoso, Ted Boy e Ivon Cury.