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...A geração mais jovem desconhece o fenômeno que foram os Trapalhões. Fenômeno que perdurou por quatro décadas, ou seja, pela maior parte da vida da televisão brasileira até o momento.

Os Trapalhões, porém, perde em um aspecto fundamental para os programas exibidos nos dias atuais: ele não sobreviveu o suficiente para chegar à era da internet. Seguindo uma linha comparativa, o nosso amigo Chaves, por exemplo, segue no ar desde a década de 1980 e conquistou uma geração que já nasceu conectada e on-line. Quando o programa, liderado por Renato Aragão, chegou ao fim, a rede mundial de computadores apenas engatinhava no Brasil. E, hoje, como sabemos, ela é a maior ferramenta para disseminação de qualquer tipo de fato - seja ele bom ou ruim.

A musica-tema de Os Trapalhões, criada por Zé Menezes, permaneceu por décadas nos ouvidos dos brasileiros, e, se parou de tocar na televisão, continua a ser reproduzida na memória de todos aqueles que, aos domingos, se deixavam contagiar com a graça e o humor do inconfundível quarteto mais atrapalhado e querido do Brasil.

Conheçam a biografia do Zé Meneses

 

Para as gerações mais novas, porém, falar de Os Trapalhões é algo nostálgico. Hoje, são raríssimos os filmes nacionais que levam 3, 4, ou ate 5 milhões de espectadores ao cinema. Os Trapalhões faziam isso todas as férias, todo ano. Infelizmente, a turma de hoje acompanha, quando muito, apenas as polêmicas entre Didi e Dedé que saem de tempos em tempos na imprensa, ou os filmes que contam somente com Renato Aragão. Para eles, Os Trapalhões pode ser algo tão antigo quanto A família Trapo ou A Praça da Alegria, nomes que surgem apenas em livros sobre comunicação e documentários sobre a historia da TV.

A nova geração não viveu a febre do grupo no Brasil. Mal sabe que ele não é dos anos 1980, nem dos 70, mas da década anterior. Para esses jovens, Renato Aragão é apenas um humorista que um dia deve ter sido genial, e, hoje, aparece aos domingos com um grupo de pessoas mais novas.

Essa juventude não teve a oportunidade de ver o quarteto em seu auge - muitos não viram o inimitável Mussum com sua espontaneidade e seu carisma hilários e naturais; a pureza e infantilidade teatral de Zacarias; Dedé quando ainda tinha pinta de gala, ou Didi nos tempos em que dava cambalhotas tão rapidamente quanto falava ô psit e estalava os dedos com um olhar magnético — seu gesto típico.

Os Trapalhões foram os últimos palhaços autênticos da televisão brasileira. Em seus últimos anos de atuação, viram programas contemporâneos, como TV Pirata ou Casseta & Planeta, adaptarem-se ao humor politicamente incorreto, chamado de "inteligente" e, muitas vezes, a base de sarcasmo e alguma apelação.

Entre 1966 e 1995, o grupo levou a TV o humor dos picadeiros de circo espalhados pelo país. Apresentou a nação brasileira um pouco do humor regional do país, que vai do malandro carioca ao mineiro tímido. Protagonizou a comédia mais simples e honesta possível. Em suas diversas formações, levou milhões e milhões de pessoas aos cinemas, aos circos, shows, ou simplesmente para a frente da TV, sob a bandeira de diversos canais, mas, especialmente, sob a bandeira de um humor bem-feito, ingênuo, puro e eterno — formula de sucesso em qualquer país e em qualquer época.

O titulo que demos a este livro

tem duas motivações. Afinal, Adoráveis Trapalhões foi o nome do programa que deu origem ao grupo, quando criado pela TV Excelsior. Porém, o adjetivo rompe todas as barreiras de tempo e espaço. Afinal, adoráveis são as pessoas que deixam saudade, aquela saudade boa, que todos nos gostamos de ter. Portanto, ô da poltrona, instale-se confortavelmente nela e seja bem-vindo — de novo ou pela primeira vez  ao mundo mágico dos Trapalhões.

Luis Joly e Paulo Franco


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