Dedé e Didi... ou Didi e Dedé?

 

"Na realidade, eu sou fã dos Trapalhões. Às vezes, eu me sinto mais um espectador do que parte dos Trapalhões". (Dedé Santana)

 

Paralelamente, na TV Tupi de Chateaubriand, acontecia outro momento de desfecho para o futuro dos Trapalhões: o encontro entre Didi e Dedé. Á época, Renato Aragão havia recém-chegado do Ceará, onde fazia o programa Video Alegre, na TV Ceará, de Fortaleza. Nascido na pequena cidade de Sobral, Renato tinha de conciliar o desejo da família de que se tornasse um advogado com o seu verdadeiro sonho, de fazer cinema - sonho que, alias, ganhou sua forma inicial quando assistiu ao filme Aviso aos Navegantes, de Oscarito, eterno ídolo do humorista.

Renato Aragão e o seu grande ídolo Oscarito

 

Renato chegou ao Rio de Janeiro no inicio da década de 1960, contratado pela TV Tupi da cidade. Chegou "por ouvir falar", como costuma dizer, já que não havia videoteipes na época para que seu programa fizesse sucesso em outras regiões do Brasil. Sua estréia na Tupi aconteceu com o programa humorístico do momento, A-E-I-O-Urca.

Segundo Aragão, havia uma pressão na Tupi para que ele passasse a trabalhar com um parceiro. Renato, porém, queria alguém menos conhecido - lembrando que, até então, ele mesmo ainda não era reconhecido com o status de uma celebridade.

Aragão não nasceu Didi. Mas Didi nasceu e se fundiu como em uma simbiose, com o cidadão nordestino. De lá para cá, embora ele não admita, não se sabe quando Didi é dominante ou dominado. Na verdade, Renato passou de criador a criatura, e assistindo a Didi Moco Sonrisal Colesterol Novalgina Mofumo (sim, esse é o nome completo do personagem) conquistar o Brasil e marcar diversas gerações com seus trejeitos, cacoetes e frases de efeito.

Arnaud Rodrigues, foi o principal responsável pela amizade de Didi e Dedé

 

Durante um dia de gravação, Arnaud Rodrigues (que já interpretou diversos personagens em A Praça é Nossa e escreveu muito para o programa Os Trapalhões) e Renato viram o circo de Dedé passando pela cidade.

Arnaud Rodrigues, então, chamou Dedé para trabalhar em TV. Até então, Manfried Sant’Anna, ou Dedé, natural de Niterói (Rio de Janeiro), estava bem em seu circo e nos teatros, onde realizava diversos números, e não pensava em atuar na televisão. Arnaud promoveu o encontro de uma das principais — ou da principal — duplas do humor nacional.

Quando Dedé conheceu Renato e notou o seu estilo de humor, pensou: "Este rapaz é muito bom. Mas pode melhorar". Dedé referia-se ao estilo de humor de Renato, que não era próprio do circo. Renato, de fato, nunca negou que seu humor não nasceu no picadeiro.

Por outro lado, Dedé tinha sido, praticamente, criado nas lonas e no chão de terra batida do circo. Entre seus familiares, a lista incluía pessoas que haviam trabalhado com Oscarito - justamente o ídolo de Renato. E a habilidade de Dedé, humorista-escada - ou seja, aquele que prepara a piada para o outro conta-la -, nos picadeiros ajudou muito o próprio Renato, conforme ele lembra. "O Renato era muito bom, mas precisava aprender alguns truques de circo. Aí, eu pegava aquelas coisas de circo do meu pai. Então, eu ensinava o Renato a cair, fingir que apanhou bater, fazer movimentos típicos de palhaços. Pagava uma cerveja pro contra-rregra colocar um tapete no chão e passávamos algum tempo fazendo isso. Depois de um pouco de treino, o Renato começou a arrebentar."

O cearense e o cigano de Niterói (Dedé) fizeram uma cena juntos pela primeira vez no programa A-E-I-O-Urca. Uma cena humorística que se passaria em um quartel, segundo Renato. O nome do quadro era “Os Legionários”, uma espécie embrionária dos quadros do quartel com Os Trapalhões, no futuro. A cena funcionou, e a dupla estava formada. Ali, Dedé começou a se afirmar como um humorista-escada. E, até hoje, poucos o superaram nessa função.

Renato Aragão e Dedé Santana atuando juntos pela primeira vez, com o saudoso ator Átila Iório (centro) no papel de Capitão no programa A-E-I-O-Urca "Os Legionários"

Foto cedida carinhosamente do acervo particular de Aimee Sant Anna (filha do Dedé Santana)

 

"O Dedé sempre foi um grande 'escada' engraçado, assim como o Roberto Guilherme sempre foi um 'escada' engraçado. Isso fica claro, pois, quando estão sozinhos, não são tão engraçados", explica Emanoel Rodrigues, responsável pelos textos do grupo.

Dedé também assumiu, na dupla, o papel de galã. Papel que levaria também ate os últimos anos com os Trapalhões.

Luis Joly e Paulo Franco


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